A exposição realizará um levantamento da memória urbana de Ouro Preto, para mostrar o acervo artístico construído nesses 300 anos. Por meio da informação e da divulgação cultural, mostrar ao Brasil e ao mundo a história artística da primeira cidade do país a receber o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.
Vários dos artistas incluídos nessa exposição estabeleceram, desde o século XVIII até a atualidade, linguagens de forma e conteúdo significativos, exemplos da originalidade e capacidade de constante renovação da arte brasileira. Dessa maneira, a exposição apresentará um período especial da história, grande responsável pela construção de memórias, identidades culturais e, por que não, da própria arte nacional.
Nesse projeto, a memória deve ser entendida como um processo dinâmico da própria construção de significados da experiência individual e coletiva dos sujeitos envolvidos – neste caso, artistas e artesãos reconhecidos ou não pelos processos históricos. A proposta de rememorar esses nomes está visceralmente ligada à questão da identidade cultural.
Por identidade compreendemos os processos de diferenciação e identificação de princípios, valores, práticas materiais e representações simbólicas que marcaram e continuam a marcar as vivências artísticas e sociais, tanto do ouro-pretano quanto do visitante atraído pela cultura histórica da cidade.
A cultura como atrativo turístico é considerada uma atividade econômica de importância global, que abarca elementos sociais, culturais e ambientais. É um dos fenômenos que propicia o contato entre diferentes experiências culturais, em diferentes situações e paisagens, possibilitando a globalização cultural.
No desenvolvimento do turismo cultural, história, memória e identidade estão integradas. Portanto, um evento como a exposição Ouro Preto 300 anos – a cidade construída pela arte possibilitará a ampliação e divulgação dessas histórias, memórias e identidades, narradas pela arte e pelo fazer artístico.
Trata-se de um modo de reinterpretar, utilizando-se meios atualizados - recursos visuais e outras tecnologias - e envolventes - como a criação de ambientes cenográficos -, o acervo artístico e cultural em construção. Para tanto, será necessário o concurso de profissionais de diversas áreas: historiadores, arquitetos, restauradores, cenógrafos, educadores, produtores culturais, músicos, críticos de arte, artistas e artesãos. Criando, assim, ações que promovam o crescente interesse do poder público e privado no sentido de fortalecer o turismo, a arte e o saber.
O objetivo principal desta exposição é mapear e divulgar a arte dos 300 anos de Ouro Preto, em um contexto histórico-cultural-patrimonial, percorrendo diversos períodos até a contemporaneidade. Pretendemos mostrar as obras e os artistas, anônimos e nomeados, significativos da produção artística, em relação direta com a construção da cidade de Ouro Preto, desde sua origem.
Tal proposta remontará às interpretações históricas e memorialísticas que fazem parte do constante processo de construção das identidades culturais locais – do ouro-pretano – e nacionais – do brasileiro. É nesta perspectiva que ressaltamos a importância das obras expostas como representantes de um patrimônio material de valor inestimável para a cultura brasileira.
Essa exposição contará, portanto, com o levantamento do acervo artístico e sociocultural dos períodos demarcados, segundo uma linha temporal que se inicia em 1698, na gênese, e segue até hoje.
Resolvemos transformar cada um dos módulos da exposição em um autêntico espetáculo cenográfico, relacionando arte, música e literatura da história de Ouro Preto, a fim de mostrar como todas as formas de arte estão relacionadas.
A exposição será lançada em Ouro Preto, passando por Portugal, África e São Paulo de maneira a fortalecer projetos de ação educativa e estabelecer relações culturais transatlânticas.
Direção de arte: Vinícius Costa